28 de setembro de 2010

Quem pensa nas raízes

Se eu tivesse um diário, ele choraria; escorreria lágrimas de todos os dias.
Com meu choro delegado às páginas, eu silenciaria por dentro e por fora, chegando enfim à solidão.
Por hora ela se mostra como musa inalcansável, como desejo furtivo e impróprio.
Minhas páginas acolheriam minhas lágrimas fraternalmente.
Minhas páginas teriam o melhor de mim, pra eu me ver, então, nelas.
O mundo tem o resto, o resto de um corpo que ainda não é inteiro.
Minhas lágrimas se perdem, vãs.
Vou achá-las não no concreto, mas no vazio.
Somos mais vazios que cheios. Nunca nos tocaremos.
A única experiência tangível é o vazio.
Vazio.
Ser cheio de si é não entender o vazio, é não colocar pra fora as lágrimas, é não ter páginas, é nunca poder se ver.
Eu escrevo em pessoas, as amo.
Quero ser para elas também páginas, um espaço vazio, um depósito de lágrimas.
Felicidade é ser vazio de si.

Um comentário:

Joseph disse...

Hey! Da um sinal de vida! :*