24 de agosto de 2010

As olheiras respiravam um gesto que contrastava com seus olhos.
O café a aguardava na mesa. Ela olhava pela janela.
Quando foi que tudo comçou? Na dúvida, na viagem, no olhar?
Sua ingenuidade a havia abandonado e em suas mãos pulsava uma vontade diferente.
O café não as queimava nem a olheira as segurava.
Ela entendia que o sentido da vida dela estava ali, disforme, pairando em sua frente.
Que forma tomaria? Suas mãos se moviam tímidas.
Mais um gole. Mais um desvio para a janela.
A xícara se quebra. As mãos se movem decididas, e ali começa sua vida.

2 comentários:

_marimah disse...

é o instante decisivo; que transforma toda a timidez do que no fundo sabíamos - mas ainda não tínhamos a coragem / serenidade pra aceitar - em decisão.
parabéns pelo (re)começo.

grandes beijos.

Ana disse...

linda.
obrigada!